segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Em briga de casal ninguém mete a colher, mas o que isso tem a ver com os arquétipos?

Segundo Carl Jung, o arquétipo da anima (alma, em latim),constitui o lado feminino no homem, e o arquétipo do animus(espírito em latim), constitui o lado masculino na psique da mulher. Ambos os sexos possuem aspectos do sexo oposto, não só através da carga biológica, como também psicologicamente através de emoções e comportamentos.
A face externa da psique é chamada de Persona e a face interna, são os arquétipos da anima e animus. O homem traz consigo, como herança, a imagem de mulher. Não a imagem de uma ou de outra mulher especificamente, mas sim uma imagem arquetípica, ou seja, formada ao longo da existência humana e sedimentada através das experiências masculinas com o sexo oposto, não somente a experiência individual, mas também a experiência trazida pelo inconsciente coletivo. O mesmo fenômeno ocorre com as mulheres, o Animus é parte da experiência individual e parte experiência do inconsciente coletivo. Embora, anima e animus desempenhem função semelhante no homem e na mulher, não são, entretanto, o oposto exato. Segundo Humbert, “Anima e animus não são simétricos, têm seus efeitos próprios: possessão pelos humores para a anima inconsciente, pelas opiniões para o animus inconsciente.”
A anima, quando em estado inconsciente pode fazer com que o homem, numa possessão extrema, tenha comportamento tipicamente feminino, como alterações repentinas de humor, falta de controle emocional.
Em seu aspecto positivo a anima, quando reconhecida e integrada à consciência, servirá como guia e despertará, no homem o desejo de união e de vínculo com o feminino e com a vida. A anima será a “mensageira do inconsciente” tal como o deus Hermes da mitologia Grega.
A valorização social do comportamento viril no homem, desde criança, e o desencorajamento do comportamento mais agressivo nas mulheres, poderá subdesenvolver uma anima ou animus e potencialmente carregados de energia, atuando no inconsciente.
Um animus atuando totalmente inconsciente poderá se manifestar de maneira também negativa, provocando alterações no comportamento e sentimentos da mulher. Segundo Jung: “em sua primeira forma inconsciente o animus é uma instância que engendra opiniões espontâneas, não premeditadas; exerce influência dominante sobre a vida emocional da mulher.”
O animus e a anima devidamente reconhecidos e integrados ao ego, contribuirão para a maturidade do psiquismo. Jung salienta que o trabalho de integração da anima é tarefa difícil. Diz ele: “Se o confronto com a sombra é obra do aprendiz, o confronto com a anima é obra-prima. A relação com a anima é outro teste de coragem, uma prova de fogo para as forças espirituais e morais do homem. Jamais devemos esquecer que, em se tratando da anima, estamos lidando com realidades psíquicas, as quais até então nunca foram apropriadas pelo homem, uma vez que se mantinham foram de seu âmbito psíquico, sob a forma de projeções.”
Anima e animus são responsáveis pelas qualidades das relações com pessoas do sexo oposto. Enquanto inconscientes, o contato com estes arquétipos são feitos em forma de projeções.
O homem, quando se apaixona por uma mulher, está projetando a imagem da mulher que ele tem internalizada. É fato que a pessoa que recebe a projeção é portadora, como dizia Jung, de um “gancho” que a aceita perfeitamente. O ato de apaixonar-se e decepcionar-se, nada mais é do que projeção e retirada da projeção do objeto externo. Geralmente o que se ouve é que a pessoa amada deixou de ser aquela por quem ele se apaixonou, quando na verdade ela nunca foi, só serviu como suporte da projeção de seus próprios conteúdos internos.
Para o homem a mãe é o primeiro “gancho” a receber a projeção da anima, ainda quando menino, o que se dá inconscientemente. Depois, com o crescimento e sua saída do ninho, o filho vai, aos poucos, retirando esta projeção e lançando-a a outras mulheres que continua sendo um processo inconsciente. A qualidade, do relacionamento mãe-filho, será essencial e determinará a qualidade dos próximos relacionamentos, com outras mulheres. Salienta Jung: “Para o filho, a anima oculta-se no poder dominador da mãe e a ligação sentimental com ela dura às vezes a vida inteira, prejudicando gravemente o destino do homem ou, inversamente, animando a sua coragem para os atos mais arrojados.”
Jung define projeção da seguinte forma: “um processo inconsciente automático, através do qual um conteúdo inconsciente para o sujeito é transferido para um objeto, fazendo com que este conteúdo pareça pertencer ao objeto. A projeção cessa no momento em que se torna consciente, isto é, ao ser constatado que o conteúdo pertence ao sujeito.”

terça-feira, 22 de maio de 2012

Autoconhecimento e sombra

Um dia um velho avô foi procurado por seu neto, que estava com raiva de um amigo que o havia ofendido.O sábio velhinho acalmou o neto e disse com carinho:
"Deixe-me contar-lhe uma história. Eu mesmo, algumas vezes, senti muito ódio daqueles que me ofenderam tanto sem arrependimento, todavia, o ódio corrói a nossa intimidade mas não fere nosso inimigo. É o mesmo que tomar veneno desejando que o inimigo morra. Lutei muitas vezes contra esses sentimentos.
O neto ouvia com atenção as considerações do avô. E ele continuou: "É como se existissem dois lobos dentro de mim. Um deles é bom, não magoa ninguém. Vive em harmonia com todos e não se ofende. Ele só lutará quando for certo fazer isto, e da maneira correta. Mas, o outro lobo, ah!, esse é cheio de raiva. Mesmo as pequenas coisas desagradáveis o levam facilmente a um ataque de ira! Ele briga com todos, o tempo todo, sem qualquer motivo. É tão irracional que nunca consegue mudar coisa alguma! Algumas vezes é difícil de conviver com estes dois lobos dentro de mim, pois ambos tentam dominar meu espírito".
O garoto olhou intensamente nos olhos de seu avô e perguntou:
"E qual deles vence, vovô?"
O avô sorriu e respondeu baixinho:
"Aquele que eu alimento mais freqüentemente".

Esta história ilustra a importância de nos conhecermos e assim,conhecermos nossa sombra, nosso lado que dificilmente queremos entrar em contato. Nos mostra o que o zen budismo chama de 'homem superior', aquele que vence a si mesmo. O fato de negar o lobo 'ruim' não o faz desaparecer. Nas sombras , ele pode se fortalecer e quando menos se espera, nos ataca traiçoeiramente. São as situações de ira, onde perde-se a razão e o 'lobo' domina todo o psiquismo. Paulo, o grande apóstolo do cristianismo, identificou muito bem essa luta íntima quando disse: "o bem que eu quero, esse eu não faço, mas o mal que não quero, esse eu faço."
Veificamos o desenvolvimento do apóstolo Paulo de Tarso, em uma de suas últimas epístolas:
"já não sou eu quem vive, é o Cristo que vive em mim."

Mas, para que cheguemos a esse ponto, temos que travar muitas batalhas internas. 'Orai e vigiai'. Geralmente oramos por nós e vigiamos os outros. Para o autoconhecimento, sugiro orar pelos outros e assim, transformar o ódio, ressentimento, raiva em coisas boas, bem como vigiar nossas palavras e atitudes para evitar que o lobo mau saia. Experimente.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Sobre o casamento...

A coisa toda sobre o casamento depende do quanto cada um está disposto a dar-se a algo maior: o relacionamento. Inclui-se o abandono do ego. Não do amor próprio ou dos sonhos. É realizar os sonhos com o outro, apoiando, e assim, alimentando-se de novos sonhos, projetos, planos. Joseph Campbell descreve bem sobre o assunto:
"A coisa toda no casamento é o relacionamento e seu processo  - conhecendo as funções, sabendo que cada um desempenha um papel em um organismo. Uma das coisas que percebi - e percebi nas pessoas que estão casadas muito tempo - é que o casamento não é um caso de amor.

"Um caso de amor tem a ver com satisfação pessoal imediata. Mas o casamento é uma provação; significa dar, e cada vez dar-se de si. É por isso que é um Sacramento: você desistir de sua simplicidade pessoal para participar em um relacionamento. E quando você está dando, você não está dando para a outra pessoa: você está dando para a relação. E se você perceber quem você é no relacionamento, assim como a outra pessoa é, então o casamento se torna um 'tornar-se vida', uma vida de alimentar e enriquecer a experiência, não um empobrecimento porque você está dando para outra pessoa...

"Este é o desafio de um casamento. Que coisa bonita é uma vida juntos como crescendo personalidades, cada uma ajudando a outra a florescer, ao invés de apenas se movendo como manda o figurino. É um momento maravilhoso quando as pessoas podem tomar a decisão de ser algo bastante surpreendente e inesperada, ao invés de produtos de pré-moldados. "

Joseph Campbell, em conversa com Michael Toms, de "An Open Life"

domingo, 23 de janeiro de 2011

O que é ser 'normal'

Assisti um trecho do BBB outro dia, e sinceramente, não me chamou nem um pouco a atenção. As vezes me perguntam o que eu acho sobre este tipo de programa e digo simplesmente que não assisto. A idéia de confinar pessoas e colocar provas e tarefas, premiando alguns e punindo outros já existe no mundo do trabalho, por exemplo e em varios grupamentos humanos. A busca da fama incessante, e depois, a reclamação que a fama é muito pesada também é bem comum. A pessoa queria ser famosa pra que? Por quê? Cada cabeça é um caso, mas podemos dizer que a pessoa necessita de toda aquela atenção pra ter um equilíbrio psiquico. Buscam no fundo, a normalidade. Atualmente, as pessoas vivem o paradoxo de tentar se adaptar a sociedade e ter destaque ao mesmo tempo. Algumas pessoas tendem a buscar a diferença adotando o caminho do choque, do provocador e do excêntrico. Outras, seguem a si mesmas, com a psique em equilíbrio, mas colocando o coletivo na equação. Quanto mais a pessoa se conhece, mais ela integra aspectos de seu inconsciente coletivo a sua psique, tornando-se mais integrado a sociedade e cultura atuais. Segundo Carl Jung, "Ser normal é o ideal dos que não têm êxito, de todos os que ainda se encontram abaixo do nível geral de adaptação. Mas para as pessoas dotadas de capacidade acima da média, que não
encontram qualquer dificuldade em alcançar êxitos e em realizar sua
cota-parte de trabalho no mundo, para estas pessoas a compulsão moral
a não serem nada senão normais significa o leito de Procusto: mortal
e insuportavelmente fastidioso, um inferno de esterilidade e de desespero." 


Neste trecho, Jung coloca sob análise pessoas que são adequadas aos olhos da sociedade, porém, vivem infelizes. Quando falamos indivíduos ou individualidade, falamos em essência única e indivisível que possuímos. Somente através da busca desta essência, encontraremos algumas respostas sobre nossa jornada que chamamos de vida. Vavos viver pra dentro um pouco, esqueçamos os holofotes e câmeras por alguns momentos e de forma gradativa, vamos buscando as razões de ser de nossa vida.

Ainda citando Jung, na mesma entrevista: 
"Nenhuma circunstância exterior substitui a experiência interna. E é
só à luz dos acontecimentos internos que entendo a mim mesmo. São
eles que constituem a singularidade de minha vida".

Estes dois trechos estão em 'Entrevistas e Encontros', da Ed. Cultrix.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Como fazer um curriculo profissional

Muitas pessoas me pedem ajuda para montar um currículo. As perguntas vão desde o tipo de fonte de letra deve ser utilizado, passando pela ordem das experiências profissionais e pelo nível de detalhe do conteúdo. A resposta é: depende do caso. Depende do cargo que a pessoa se candidata, da senioridade (horas de vôo), qualificação e mercado em que está aplicando. Sobre os recrutadores, podem ser consultores experiêntes, ou direto nas empresas, geralmente utilizam ferramentas de informática que fazem a filtragem das informações. Por isso, para a pessoa buscar um emprego, deve prestar atenção que a logica de busca de curriculos é a do banco de dados. Exemplo: Um gerente comercial, com vivência em vendas técnicas de aço, já trabalhou com pós vendas neste mesmo segmento e há 5 anos atrás era da área de Marketing de uma outra companhia do mesmo segmento. Se ele colocar em 'objetivos: Gerente Comercial', os recrutadores apenas chamarão quem se cadastrou como Comercial, pois é o que apareceu na busca. Se a pessoa colocar em 'objetivos: Gerência Colmercial/Vendas/Pós Vendas/Marketing', as chances de aparecer em mais buscas é maior.  Pode mentir? Não. Mais cedo ou mais tarde, a mentira vem a tona, e o estrago pode ser maior ainda. Ética profissional sempre. As dicas abaixo são para ajustar seu curriculo, tornando mais eficiente sua busca e ajudando os selecionadores. Espero que estas dicas ajudem:
Analise a linguagem do anúncio da vaga.
Uma maneira de facilitar ser chamado a uma entrevista é fazer eco a linguagem do anúncio.  Se o curriculo diz 'supervisiona' e o anuncio diz 'gerencia', mude seu curriculo. Se a função pedida é de Gerente de Marketing e seu curriculo traz Gerente Comercial, coloque entre parênteses (Marketing), desde que tenha atuado com marketing, obviamente.
O que colocar em 'Objetivos Profissionais'.
Começar um curriculo com a frase 'Busco uma posição de ' ou 'Busco um desafio em ' não está muito na moda. Não está errado porém, como já foi dito, talvez seja mais eficiente citar palavras chave de atividades que você gosta: marketing, treinamentos, motorista, operador de máquinas, etc.Outra dica é colocar funções onde você realmente se destaca e gosta de fazer.
Evite redundâncias.
Não perca tempo dizendo o que os selecionadores ja sabem. Ao invés de falar que o Vendedor vendia, diga para que mercado vendia, volume em vendas e faturamento ou seja, seus principais pontos de vendas e conquistas.
Linguagem atrativa.
Atenção as palavras utilizadas, use palavras mais fortes, como o exemplo que darei:
“Responsável pelo acompanhamento dos depósitos bancários diários” poderia ser facilmente “supervisionava depósitos bancários diários” ou ainda: “tinha como atividades escrever press releases para empresa,” seria melhor dizer “Escrevia todos os press releases da empresa.”
Estas mudanças de linguagem devem ser feitas com cuidado, sem 'exageros' nem mentiras. É apenas uma forma diferente de se aproveitar a experiência da pessoa e valorizá-la.
Vire seu curriculo de ponta cabeça!
É sério.Vire-o de ponta cabeça e analise a distribuição do texto. Está harmoniosa, está desigual, esta denso do começo ao fim?  As vezes um curriculo chama a atenção pela formatação harmoniosa. O que vale é o conteúdo, mas uma primeira impressão e o que vai chamar a atenção do recrutador é a formatação do curriculo.
Escreva um rascunho em um formato diferente.
No livro, ainda sem tradução em português “The Overnight Resume: The Fastest Way to Your Next Job (algo como 'Curriculo do dia para noite: o caminho mais rápido pra seu próximo trabalho'),” do expert em carreira Donald Asher, ele segere escrever uma carta para um membro da família ou amigo mencionando seus feitos profissionais. O currículo começa ao final da carta, quando você começa a remover os pronomes pessoais ('Eu' e 'Nós'), cortando artigos ('um', 'uns', 'uma').
Considerando que é uma carta ou estória (na qual você é o herói), é um ótimo começo para fazer de seu resumo profissional algo mais pessoal e mais efetivo.
Estas dicas servem para orientar profissionais com alguma experiência. Em casos de mudança de carreira, primeiro emprego, e outros, vale buscar ajuda de um profissional que trabalhe com o assunto para orientação.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Contar estórias hoje

A arte de contar estórias sempre foi cultivada pela necessidade que a raça humana tem de transmitir conhecimentos. É uma forma de transmissão cultural pré-escrita, que fala sobre a criação do mundo e do próprio homem. Acontecia a catarse coletiva da tribo, principalmente através dos rituais tribais onde havia a representação do mundo e o homem neste contexto. Então a Natureza era a divindade. E o ser humano, parte da Natureza. Através das estórias, lia-se um significado nos fenômenos naturais e tentava-se dar um sentido a jornada do próprio ser humano.  De acordo com a evolução cultural humana, as necessidades de criar novas estórias também evoluiu: politica, guerra, e as emoções mais elaboradas como inveja, traição, amor romântico. Exaltaram a adoração a Deus - ou deuses - , da beleza humana e da natureza. Pinturas, esculturas, sempre andaram em paralelo com arte de contar estórias, exaltando a divindade em todos nós. O teatro foi uma das evoluções desta arte. Desde a Grécia antiga, observam-se temas recorrentes como a busca sobre a verdadeira natureza humana e questões como 'de onde viemos' e 'para onde vamos', como mensagens coletivas sendo passados de geração a geração. Podia-se então viver uma vida que não fosse a própria: a angústia de um rei, a bravura de um soldado, especular sobre as motivações de um semi-deus. Era o sonho coletivo sendo gerado e alimentado no psiquismo humano. Século XXI, novas mídias foram criadas e a necessidade de contar estórias mantêm-se mais viva do que nunca, através de peças de teatro e filmes. Com a tecnologia atual, é possível criar estórias fantásticas e contá-las com um realismo impressionante. Há filmes que carregam imagens oníricas, parecem um longo sonho, como 'Um olhar do paraíso',  de Peter Jackson, ou 'A Origem', de Christopher Nolan. O cinema encarregou-se da arte do sonhar coletivo, hora traduzindo o momento, hora antecipando as mudanças da sociedade. Ainda hoje, após várias crises, a indústria cinematográfica sobrevive sempre se reinventando. Quando inventaram a televisão e esta começou a ser parte integrante das famílias pelo mundo, decretaram a morte do cinema. Sobreviveu. A popularização dos video-cassetes e aparelhos de DVDs ameaçou, mas não conseguiu acabar com o cinema. Os downloads de filmes prejudicaram, mas o cinema hoje é 3D, uma saída de emergência. A industria cinematográfica se conscientizou que não basta apenas orçamento milionário e grandes astros, precisam de boas estórias. O cinema independente produz como nunca e mesmo no Brasil, a qualidade tem surpreendido positivamente. Estórias bem contadas, roteiros bem desenvolvidos e atores bem dirigidos hoje são realidade em terras tupiniquins. As últimas premiações da Academia de Holywood mostram que não é um filme como 'Avatar' ainda que vai trazer novas mitologias e temas impactantes em nossa cultura. 'Quem quer ser um milionário', por exemplo, custou bem menos e foi mais premiado porque trouxe a jornada do herói - a jornada de um ser humano - sendo narrado de forma bem coerente e significativa para todos nós. A função onírica antes privilégio dos chefes da tribo ou xamãs, que exaltavam e explicavam a jornada humana junto a Natureza, hoje esta nas mãos de diretores e produtores da industria do cinema. Que estes sonhem então o bom sonho, tragam boas imagens e bons mitos, que o nosso psiquismo fique grato, não apenas pela catarse coletiva mas por significado e um pouco mais de reflexão.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Caráter corroído - começa na infância

Ha um livro muito bom chamado' A Corrosão do Caráter', de Richard Sennett. É um livro fino, mas bem denso e tive que lê-lo umas duas vezes, sem contar as pesquisas nele, para compreendê-lo em sua essência. Fala das relações atuais, principalmente profissionais, mas não só, e da volatilidade dessas relações. Uma vez que fica tudo etéreo, pouco definido, pouco palpável, a nossa história de vida também. Nossa história de vida é nossa narrativa, se é volátil, etérea, há forte tendência que em determinado momento nos venha o sentimento de superficialidade, de distanciamento de nós mesmos. Fala sobre a passagem do tempo e a importância das conquistas vindas que só o tempo tras, como por exemplo confiança. Nossos valores são mais voláteis e quando percebemos, mudamos nossos valores de acordo com nossa conveniência. Mais ainda, como transmitir valores a nossos filhos? Mesmo com a sociedade e seus núcleos como família, escola e trabalho enfrentando crises de modelos, como cobrar nossos filhos valores essenciais a um modelo de sociedade funcional? Valores como honra, fidelidade, família, verdade passam a ser chamadas de utopias. Então é melhor transmitir esses valores e seguir estes valores ou preparar os nossos filhos para se adaptarem as regras do jogo o quanto antes pois quem larga primeiro tem grande chances de chegar em primeiro - ninguém nunca me disse onde. Desde cedo, crianças vão a escolas bilingues, fazem escola de futebol, treinam tênis, estudam inglês e agora espanhol, fazem teatro, música, ballet... e a infância, onde fica? Onde está o brincar, o dividir com os amigos, o criar? onde estão os antigos valores de que criança tem que brincar, que não deve assistir ao que quer na TV, que tem assuntos que não deve participar? Tem que haver alguns limites, sempre pela ponderação dos pais. A idéia que criança é adulto em miniatura vem da Idade Média, mas parece que ainda presenciamos muito disso ainda hoje. Ou que criança é como esponja, absorve conhecimentos com maior facilidade. Concordo com relação a absorção do conhecimento, mas nunca vi uma esponja reclamando da falta de amor e carinho dos pais... 
Conselho: Ponderação e Coerência. Diálogo com os filhos. As conversas devem ser construtivas e a criança precisa se sentir amada. Muito do que a criança aprende é com os exemplos dos pais. Adultos amorais vão gerar crianças amorais. Portanto, os papéis que os adultos desempenham em casa, no trabalho ou qualquer outro circulo social são fundamentais para o desenvolvimento das crianças. Com uma boa base de valores, o jovem aprende a julgar por si próprio o que é certo e o que é errado, bem como a agir conforme seu julgamento. Você tem claro quais são seus valores?